Psicólogo Especialista em Psicologia Clínica, graduado e pós-graduado nas primeiras turmas da Universidade Federal do Amazonas, estudioso em psicanálise, ciências da saúde e ciências humanas, professor universitário, exercendo a psicologia em consultório público e particular há 18 anos, além de radialista com 10 anos de experiência em apresentação, produção e direção de programas de televisão no Amazonas.
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Esta é uma das frases mais comuns ditas pela população leiga em geral sobre o que seria psicologia e as funções de um psicólogo. Como a grande maioria das “opiniões” populares e ou de leigos sobre os mais variados temas existentes, a frase título deste texto está cheia de preconceitos e tolices sem o menor sentido. Aqui tentarei esclarecer melhor o que é a psicologia e as funções reais de um psicólogo, para que aqueles que ainda tenham dificuldades em compreender tais conceitos científicos passem a entendê-los e utilizá-los em seu favor.
Quando eu decidi prestar vestibular para uma vaga de psicologia na primeira turma de psicólogos oferecida pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), eu tinha uma imagem completamente distorcida, equivocada e ingênua do que seria a psicologia e qual seria o trabalho efetivo de um psicólogo. Já trabalhava desde os dezoito anos como servidor público e aos vinte e seis anos lá estava eu tentando uma vaga dentre quarenta vagas oferecidas pela Universidade Federal, era o vestibular mais concorrido da universidade, o ano era 1996, apenas direito noturno tinha mais candidatos ao acesso para a mais importante universidade do Estado do Amazonas.
Assessorando o Parlamento do Amazonas, o direito pareceria o caminho natural para quem por oito anos trabalhava em meio à Constituição Federal, hierarquia das leis, regimento interno, orçamento geral da União, dos Estado e de Manaus, projetos de lei, decretos legislativos, resoluções, requerimentos, comissões parlamentares de inquérito, partidos políticos, ideologias, doutrinas, lideranças comunitárias, representações de classes e entidades da sociedade civil, etc. Tudo parecia se encaminhar para uma formação em direito ou uma carreira política eletiva, mas toda aquela parafernália dos Poderes e das instituições não me traziam sentido efetivo, muitas utopias, fantasias, preconceitos, idiossincrasias de um lado e toda sorte de miséria da população de outro. Eu precisava de algo mais efetivo e prático para melhoria da vida das pessoas, essa minha carência interior era muito de minha formação moral cristã de caráter messiânico e redentorista que trazia em minha estrutura de caráter obtida nos tempos de práticas religiosas no seio da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana.
Foi este espírito de auxílio ao semelhante que me fez de imediato me identificar com a Declaração dos Direitos Humanos, com o humanismo e com a doutrina de que se somos resultado de uma história vivenciada pelos humanos, ela poderia ser conduzida de forma lúcida, lógica, premeditada, planejada e executada em prol de uma sistemática justa e igualitária, como parece óbvio nas palavras atribuídas a Jesus nos evangelhos canônicos, nada mais ingênuo e altruísta, mas estes foram os motivos que me levaram a escolher a psicologia enquanto instrumento de promoção de saúde e bem-estar social das pessoas em geral.
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Este amontoado de conceitos e palavras se depararam com a formação em nível de graduação num período de tempo de seis anos e posteriormente uma Especialização em Psicologia Clínica na primeira turma de pós-graduação que durou dezoito meses, também na Universidade Federal, somados à leitura de centenas de livros teóricos, relatos de casos clínicos e práticas de estágios e profissional, os sonhos iniciais grandiosos ingênuos tiveram que se modificar e tiveram que se reduzir, delimitar, assimilar impotências e incapacidades de ordem técnica e as torturantes e eternas perguntas sem respostas científicas, já que o pensamento mágico infantil nem de longe mais me dava conta de responder absolutamente nada. As ciências universais se tornavam assim meus mais novos paradigmas, parâmetro para leitura de mundo, da natureza e dos humanos.
Mas que diabos seria um psicólogo e o que ele faz, já que ele não é médico e muito menos médico de loucos?
Psicólogo é o indivíduo que é profissionalmente qualificado para a pesquisa, para a prática da psicologia e ou ensino da mesma, especializado em um ou mais ramos de suas subdivisões. A formação se dá em nível Superior em uma Universidade, podendo obter os títulos de Graduação, Especialização, Mestrado, Doutorado, Pós-doutorado e Livre Docência. Os psicólogos podem trabalhar em laboratórios onde experimentos sejam desenvolvidos em animais e seres humanos, desde que seguindo rigoroso controle científico e acadêmico, em escolas, faculdades, universidades, instituições sociais, hospitais, clínicas, forças armadas, indústria, comércio, prisões, governos, consultórios particulares, etc. As atividades profissionais de um psicólogo também possuem uma variedade de formas de atuação, em linhas gerais, dependendo da linha teórica adotada e formação podem trabalhar com aconselhamento psicológico, serviços de tratamento de saúde, testagem e avaliação educacional, pesquisa, ensino, consultoria e organizacional.
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Psicólogos Clínicos são Especialistas na avaliação, diagnóstico e tratamento de indivíduos que sofram de alguma forma de Transtorno Mental, desequilíbrio emocional, crises existenciais que perturbem ou comprometam o funcionamento normal e saudável do aparelho mental humano, bem como os comportamentos das pessoas em geral. A psicologia é ciência totalmente independente da medicina, no que pese a psicologia moderna tenha se originado na ciência médica, não possui mais conexão alguma, exceto em aspectos de ordem biológica em nível neurológico onde os saberes se entrecruzam, sendo em muitos casos necessário o trabalho multidisciplinar em parceria com médicos psiquiatras, neurologistas e ou endocrinologistas. Essa relação multidisciplinar não se limita à área de saúde, sendo necessário ao psicólogo ter profundo conhecimento em história, sociologia, antropologia, hábitos e costumes culturais dos povos, comunidades e classes, pois a normalidade e a saúde mental, na maioria das vezes, não sofre nenhum determinismo biológico.
Hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica em noventa e nove Transtornos Mentais e doenças crônico-degenerativas que comprometem de alguma forma o funcionamento mental e comportamental de seres humanos, sendo as psicoses e esquizofrenias aquilo que a população leiga costuma chamar de loucura. É uma parcela muito pequena da população humana que de fato “enlouquece”. Antes de se achar doido ou chamar alguém de doido, saiba que enlouquecer não é escolha de ninguém e não é nada fácil chegar neste quadro.
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Todos os Transtornos Mentais possuem tratamentos, muitos possuem cura, outros são crônicos, tratáveis, mas incuráveis, cabendo ao psicólogo clínico e aos médicos psiquiatras e neurologistas, a qualificação necessária para avaliação, diagnóstico e tratamento destes tipos de padecimento humano.
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